Assistir muita TV pode afetar estruturas cerebrais, aponta estudo
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Assistir televisão com frequência pode diminuir estruturas cerebrais — Foto: Freepik
RESUMO
Sem tempo? Ferramenta de IA resume para vocêGERADO EM: 20/07/2026 - 15:00
Assistir TV na meia-idade pode aumentar risco de demência,diz estudo
Um estudo publicado na revista Alzheimer's & Dementia revela que assistir televisão com frequência na meia-idade pode reduzir o volume cerebral em áreas ligadas à memória e aumentar o risco de declínio cognitivo e demência. Pesquisadores analisaram dados de 1.700 adultos e concluíram que o impacto negativo é mais pronunciado em homens. O estudo destaca a importância de considerar o tipo de atividade realizada enquanto se está sentado.O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
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Quem nunca ouviu falar que assistir muita televisão pode atrofiar o cérebro? Pois bem,uma nova pesquisa publicada na revista Alzheimer's & Dementia mostrou que a frase,apesar de forte,tem algum fundamento.
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No estudo,aqueles que relataram assistir televisão "com muita frequência" na meia-idade apresentaram posteriormente redução do volume em áreas cerebrais associadas à memória,lobos frontal e occipital menores e danos na substância branca associados ao envelhecimento,risco de acidente vascular cerebral,declínio cognitivo e demência,do que aqueles que "nunca ou raramente" assistiam televisão.
"Durante anos,nos concentramos em quanto tempo as pessoas passam sentadas. Nossos resultados sugerem que também devemos prestar atenção ao que elas fazem enquanto estão sentadas",afirma David Raichlen,professor de ciências biológicas e antropologia da Faculdade de Letras,Artes e Ciências da USC Dornsife e um dos autores principais do estudo.
A pesquisa mostrou ainda que o fato de estar sentado de forma sedentária não é o motivo dos resultados. Os pesquisadores analisaram outros tipos de atividades sedentárias que não apresentaram as mesmas associações.
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Para o estudo,foram analisados os dados de 1.700 adultos com idade média de 53 anos que participaram do Estudo de Risco de Aterosclerose em Comunidades (ARIC,na sigla em inglês) entre 1987 e 1989.
Os participantes foram questionados sobre a frequência com que assistiam à televisão durante o tempo livre,numa escala que variava de "nunca/raramente" a "muito frequentemente",e sobre a quantidade de tempo que passavam sentados durante o dia de trabalho.
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Mais de duas décadas depois,os participantes foram submetidos a ressonância magnética cerebral. Os pesquisadores encontraram volumes menores em áreas associadas aos primeiros sinais da doença de Alzheimer e maiores volumes de hiperintensidade da substância branca,um indicador de doença dos pequenos vasos sanguíneos cerebrais associada ao declínio cognitivo e à demência,nas pessoas que disseram assistir televisão com frequência.
Esses participantes também apresentaram lobos occipitais e frontais menores,regiões associadas ao processamento visual e às funções executivas. As diferenças persistiram mesmo quando os pesquisadores controlaram fatores como atividade física,diabetes,índice de massa corporal,tabagismo e consumo de álcool.
O estudo,entretanto,tem suas limitações. Os pesquisadores,por exemplo,se basearam em dados autodeclarados sobre o consumo de TV,que podem ser menos precisos do que o monitoramento cronometrado. Os participantes do estudo também não foram submetidos a uma ressonância magnética inicial para comparar com a posterior.
O caráter sedentário de assistir à televisão não parece ser o principal fator responsável por essas mudanças. Aqueles que relataram passar muito tempo sentados no trabalho apresentaram lobos frontal e occipital maiores,além de volumes reduzidos de hiperintensidade da substância branca,indicando melhor saúde cerebral do que aqueles que ficavam sentados assistindo à TV.
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Os homens também pareceram ser mais vulneráveis a essas alterações. Quando as ressonâncias magnéticas foram separadas por sexo,os pesquisadores descobriram que a maioria das alterações cerebrais,tanto causadas por assistir televisão quanto por ficar sentado no trabalho,foi observada em homens.
"Costumamos incentivar o público a não passar muito tempo sentado,mas os especialistas podem querer ampliar essa recomendação para abranger as atividades realizadas enquanto se está sentado,já que estas parecem ter impactos distintos na saúde cerebral",afirma Natan Feter,autor correspondente do estudo e pesquisador de pós-doutorado no programa de Biologia Humana e Evolutiva da USC Dornsife.