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Fuzil da PM apreendido no carro de Canella foi pedido por ele e acautelado em nome de seu segurança

07-21 HaiPress

O ex-prefeito de Berlford Roxo e candidato ao Senado Márcio Canella; e o fuzil apreendido no carro dele — Foto: Ana Paula Jaume / CBN; e divulgação PF

RESUMO

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GERADO EM: 20/07/2026 - 22:59

Márcio Canella: Controvérsia Após Apreensão de Fuzil Pela PF

O ex-prefeito de Belford Roxo,Márcio Canella,envolveu-se em polêmica após a apreensão de um fuzil da PM em seu carro,utilizado por sua segurança pessoal com autorização formal. A arma,uma carabina Colt M4,foi registrada em nome do sargento responsável por sua escolta. A situação levantou questões sobre o uso de armas pesadas por policiais cedidos ao Detran,órgão que não requer tal armamento. A operação da PF,que investiga lavagem de dinheiro,teve Canella como um dos principais alvos.

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Na última sexta-feira,terminou o prazo de cinco dias que o ministro Alexandre de Moraes,do Supremo Tribunal Federal (STF),havia fixado para que a Polícia Militar do Rio esclarecesse a origem das armas apreendidas na 6ª fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal. A Secretaria de Estado de Polícia Militar confirmou ao blog Segredos do Crime novos detalhes sobre o fuzil da PM apreendido no carro do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella,como,por exemplo,que a arma foi acautelada para uso de sua segurança pessoal,com autorização formal do secretário de Estado de Polícia Militar da época,coronel Marcelo Menezes. Atualmente ele é pré-candidato pelo PL a deputado estadual.

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Outros esclarecimentos dados pela corporação ao GLOBO foram que a arma foi registrada em nome do sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior,policial responsável pela escolta de Canella,e retirada do paiol da reserva de material bélico do Quartel-General da corporação,na Rua Evaristo da Veiga,no Centro. Em um rearranjo interno,o PM passou a ser lotado na Corregedoria do Detran,que,segundo a própria autarquia,não utiliza armas de calibre de uso restrito. Procurado,o Detran informou que Paixão havia sido cedido ao órgão desde outubro de 2025,e que "não havia conhecimento do serviço que o policial exercia". Em maio,quando o coronel da reserva da PM Carlos Eduardo Sarmento da Costa assumiu a presidência do Detran — nomeado pelo governador em exercício Ricardo Couto —,Paixão passou a trabalhar numa escala sob supervisão.

Perguntado sobre o tipo de trabalho exercido pelo policial cedido e se havia necessidade do uso de fuzil,o Detran respondeu por nota que os agentes lotados na corregedoria trabalham em ações externas fiscalizando postos de vistoria e também na diretoria de desmontagem (de ferros-velhos). Por isso,segundo a autarquia,"não é necessário porte de fuzil". O órgão confirmou,assim como a PM,que a arma — na verdade,uma carabina Colt M4 calibre 5,56 — estava acautelada em nome do policial.

A cronologia de sua saída do Detran chama atenção: já em 25 de junho de 2026,mais de dez dias antes da operação da PF,havia sido aberto processo administrativo solicitando sua devolução à Polícia Militar. Mas,a partir da 6ª fase da Operação Unha e Carne,quando veio à tona a situação do policial e do fuzil — acautelado em seu nome e encontrado dentro do veículo blindado de Canella,numa rua do condomínio do político —,o servidor teve a exoneração requerida de imediato,no mesmo dia (08/07). No dia seguinte,a exoneração de Paixão foi publicada no Diário Oficial do Estado do Rio. Uma sindicância interna foi aberta para apurar como o policial de fato trabalhava na gestão anterior,já que,segundo o Detran,nos dias de folga o órgão não exerce gerência sobre o servidor.

Decisão de Moraes

A determinação do ministro Alexandre de Moraes consta da decisão de 10 de julho na qual o ministro concedeu liberdade provisória a Márcio Canella,ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil,e a outro policial militar preso na mesma operação,Antônio Gomes da Silva Neto. Este último também foi preso por portar uma arma da corporação,no caso uma pistola,fazendo a segurança particular de dois alvos da Unha e Carne. Moraes aproveitou para incluir,no pedido de informações sobre as armas,a situação funcional dos dois policiais militares envolvidos no caso.

Fontes ouvidas pelo blog informaram que Canella disse aos investigadores não saber da existência do fuzil no veículo. De acordo com o relato,ele havia retornado na véspera de Volta Redonda,no sul fluminense,onde cumpria agenda de compromissos políticos acompanhado da equipe de segurança. Ainda segundo essa versão,o sargento Paixão teria deixado no carro uma mochila e o fuzil ao final do expediente.

No dia da operação,quando os agentes da Polícia Federal chegaram para cumprir o mandado de busca e apreensão,o próprio Canella teria indicado aos policiais os dois veículos de sua propriedade — entre eles o carro onde,mais tarde,seria localizada a arma. As chaves do veículo,segundo o relato,estavam sobre o pneu. Foi somente ao abrir o porta-malas do carro que os agentes encontraram o fuzil,o que fez com que o ex-prefeito de Belford Roxo fosse preso em flagrante pelo uso de arma de uso restrito.

A Polícia Militar informou ao blog que a Corregedoria da PM instaurou um inquérito policial militar no dia da operação.

O blog apurou ainda a situação do inspetor Pablo Juquiá Félix Ferreira,citado no relatório da Polícia Federal sobre a 6ª fase da Operação Unha e Carne como policial lotado no Detran. Segundo a Coordenadoria de Gestão de Pessoal do órgão,no entanto,Juquiá nunca trabalhou no departamento — uma inconsistência que pode indicar imprecisão no relatório da PF ou apontar para outra frente de apuração.

Desde que assumiu a presidência do Detran,o coronel Sarmento devolveu oito policiais militares à corporação,com um novo processo em andamento para a permuta de mais oito. O órgão conta atualmente com 20 policiais lotados — 19 da PM e um da Polícia Civil —,contingente que a gestão classifica como o mínimo necessário para garantir segurança às ações de fiscalização.

A 6ª fase da Operação Unha e Carne,desencadeada pela Polícia Federal,investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis. A operação mira a movimentação de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por meio de redes de combustíveis. Segundo a PF,Canella foi o principal alvo da ação.

Nota da PM na íntegra

"A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que o fuzil – uma carabina Colt M4 calibre 5,56 – foi acautelado a pedido do então prefeito de Belford Roxo,para ser usado por sua equipe de segurança pessoal. O fuzil,que faz parte da reserva de material bélico do Quartel-General da Corporação,foi acautelado em nome do policial militar para quem a cautela foi autorizada pelo secretário de Estado de Polícia Militar na época do fato.

A averiguação em relação aos envolvidos na citada operação da Polícia Federal encontra-se em andamento na Corregedoria Geral da Corporação,procedimento de praxe adotado em toda ação cometida por policial militar que gere indícios de cometimento de crime ou transgressão,sendo sempre averiguada através do procedimento apuratório cabível."

Procurado,o ex-secretário de Polícia Militar Marcelo Menezes não se recordava do caso do sargento Paixão e comentou:

— Eu não tenho de cabeça,mas existem outras autoridades do estado que fazem esses pedidos de empréstimo de fuzis à Polícia Militar,como o presidente do Tribunal de Justiça. Eles solicitam por ter alguma demanda de ameaça de morte ou garantia de vida. Posso tentar saber com o pessoal da minha gestão como ocorreu esse caso (empréstimo de fuzil),que me solicitou — respondeu o ex-comandante-geral que,até o fim desta segunda-feira,não deu as respostas solicitadas.

Já a defesa de Márcio Canella não se manifestou sobre o caso até o fechamento desta reportagem.

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