IA da Meta bane contas por engano e deixa usuários sem acesso a Facebook e Instagram
07-22 HaiPress

Camille Hanson observa a página comercial de sua empresa na Meta,que ensina inglês a falantes não nativos,em Viana do Castelo,Portugal,em 21 de junho de 2026. A Meta excluiu no início deste ano sua conta no Instagram,que tinha quase 1 milhão de seguidores,com base em falsas alegações de fraude e engano — Foto: Daniel Rodrigues/The New York Times
RESUMO
Sem tempo? Ferramenta de IA resume para vocêGERADO EM: 21/07/2026 - 19:53
Meta enfrenta críticas por banimento indevido de contas por IA
A Meta enfrentou críticas após sua IA banir erroneamente contas no Facebook e Instagram,afetando usuários como Camille Hanson,que perdeu quase 1 milhão de seguidores. A empresa afirma que suas novas ferramentas de IA cometem menos erros que humanos,mas usuários reclamam da dificuldade em obter suporte humano. Após intervenção do New York Times,algumas contas foram restauradas. A controvérsia destaca os desafios da moderação automatizada.O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
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A notificação despertou Camille Hanson assustada certa noite de março. Suas contas no Facebook e no Instagram,nas quais ela reunia quase 1 milhão de seguidores ao administrar com o marido um negócio de ensino de inglês para pessoas que não têm o idioma como língua materna,haviam sido marcadas para exclusão.
A Meta afirmou que ela havia violado as diretrizes da comunidade sobre fraude e engano.
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— Sou apenas professora de inglês— lembrou ter pensado Hanson,de 40 anos,que ficou perplexa com as acusações. — O que estou fazendo de errado?
O aviso dizia que ela poderia recorrer,por isso clicou no botão para iniciar o processo. Uma semana depois,recebeu outra notificação: seu recurso havia sido negado.
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— Todas as suas informações serão excluídas permanentemente — dizia a resposta da Meta. — Você não pode solicitar outra revisão desta decisão.
Era como ter “uma empresa física de verdade e alguém simplesmente fechar seu escritório ou sua loja”,afirmou Calvin,de 42 anos,marido de Hanson,em entrevista concedida da casa do casal em Portugal.

Uma faixa de um evento da JuneteenthNY,no Brooklyn: Depois de 17 anos de ativismo,a Meta excluiu a conta do grupo,alegando a presença de material de abuso sexual infantil. “Tudo o que fazemos é adequado para toda a família”,afirmou Athenia Rodney,responsável pela organização — Foto: Elias Williams/The New York Times
O que aconteceu com os Hanson foi um caso de inteligência artificial que deu errado. A tecnologia é cada vez mais responsável por decidir quais contas violaram as regras de conteúdo da Meta e também por administrar os recursos contra essas decisões.
Para aumentar a aflição das pessoas,muitas vezes é difícil para usuários como os Hanson conseguir falar com alguém da empresa para descobrir o que fazer.
Em março,a Meta anunciou planos de dar mais poder a robôs de IA para decidir quais contas banir ou quais imagens nocivas remover. Meses depois,a empresa demitiu milhares de funcionários,inclusive pessoas que desempenhavam essas funções.
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Usuários se organizaram na internet,e mais de 60 mil assinaram recentemente uma petição pedindo que a Meta forneça mais informações sobre o banimento de contas e permita que seres humanos analisem os recursos. Diversas comunidades no Reddit e em outros sites foram inundadas por reclamações de usuários da Meta sobre a inteligência artificial da empresa.
Daniel Roberts,porta-voz da Meta,contestou a afirmação de que a IA seria pior do que seres humanos na gestão das contas e disse que as novas ferramentas de moderação por inteligência artificial da empresa cometem 13% menos erros que funcionários humanos e identificam 10% mais violações. Das cinco contas que o New York Times levou ao conhecimento da Meta,todas haviam sido banidas pelas antigas ferramentas de moderação por IA da companhia,afirmou Roberts.
— Estamos empenhados em cometer menos erros na aplicação das regras e em ajudar as pessoas a proteger suas contas,e a IA está trazendo avanços nas duas frentes — disse ele.
IA fora de controle
A Meta tem enfrentado diversos casos em que a IA saiu do controle. Em maio,hackers exploraram seu chatbot de atendimento ao cliente baseado em IA para atacar 34 mil contas do Instagram,entre elas uma antiga conta da Casa Branca de Barack Obama.
No mesmo mês,funcionários se rebelaram contra um programa que monitorava os movimentos de seus teclados para treinar a IA,levando a Meta a suspender a iniciativa.
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Na semana passada,26 ex-funcionários da Meta afirmaram em uma ação judicial que a empresa os havia demitido usando um algoritmo de IA que os selecionou por terem deficiências. Um porta-voz da Meta afirmou que “as decisões de gestão da força de trabalho e de organização foram e são tomadas por pessoas,não por inteligência artificial”.
A People Over Platforms,grupo de defesa dos usuários que vende serviços de recuperação de contas,criou neste ano a petição on-line para pressionar a Meta a alterar suas políticas de moderação. A Meta havia acusado muitos dos signatários de compartilhar material de exploração infantil — uma acusação que,segundo os usuários,tornou a situação ainda mais ofensiva — e depois os baniu.

Athenia Rodney,responsável pela JuneteenthNY,grupo que celebra o fim da escravidão nos Estados Unidos,no Brooklyn,em 24 de junho de 2026. Depois de 17 anos de ativismo,a Meta excluiu sua conta,alegando a presença de material de abuso sexual infantil. — Foto: Elias Williams/The New York Times
Essa foi a acusação feita pela Meta contra Athenia Rodney,proprietária da JuneteenthNY,organização que celebra o fim da escravidão nos Estados Unidos,quando a empresa baniu no ano passado todas as suas contas pessoais e profissionais no Facebook e no Instagram.
“Nossa tecnologia constatou que sua conta,ou alguma atividade nela,não está de acordo com nossas regras”,dizia o aviso da Meta. “Como resultado,nossa tecnologia tomou providências.”
Rodney afirmou que não entendeu a justificativa da Meta,pois o conteúdo de seu grupo é “adequado para toda a família”. Depois que suas contas foram banidas,ela examinou os arquivos de fotos da JuneteenthNY em busca de possíveis publicações que pudessem ter acionado os robôs de IA,mas não encontrou nada.
Então Rodney se lembrou de que,pouco antes de a Meta cancelar suas contas,a empresa a havia alertado sobre acessos suspeitos vindos de Seattle e Singapura — embora ela more em Atlanta. Era um sinal de que suas contas haviam sido invadidas.
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Rodney trocou rapidamente suas senhas,mas seis de suas contas no Instagram e no Facebook,vinculadas a diferentes empresas e perfis pessoais,foram banidas.
Para recuperar essas contas,Rodney disse ter enviado documentos de identificação,apresentado reclamações ao Better Business Bureau e à Federal Trade Commission,procurado órgãos estaduais de defesa do consumidor e enviado mensagens a funcionários da Meta pelo LinkedIn. Nada funcionou.
Desde então,a JuneteenthNY passou a ter de convencer patrocinadores de que é uma organização legítima,existente há quase duas décadas.
— Nossos patrocinadores acessam nossa página nas redes sociais para confirmar que somos uma organização válida e que fazemos esse trabalho há 17 anos — disse Rodney. — Agora,quando entram em nossa conta e veem 500 pessoas,pensam: "Vocês não fazem isso há tanto tempo,vocês são uma fraude."
Duas contas foram restauradas
Depois que o New York Times chamou a atenção da Meta para as cinco contas banidas,a empresa afirmou que investigou os casos e concluiu que duas haviam sido afetadas por invasões e uma tinha sido suspensa por um motivo legítimo. As contas invadidas foram corretamente banidas porque os hackers violaram as políticas de segurança infantil,afirmou a Meta.
A empresa então restaurou as duas contas invadidas,entre elas a conta da JuneteenthNY,de Rodney. Duas das cinco contas levadas ao conhecimento da Meta haviam sido banidas por engano,inclusive as dos Hanson,informou a companhia.