A dieta do ódio: o que funciona melhor é evitar o que você detesta
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Mulher tentando encarar um prato saudável — Foto: Freepik
RESUMO
Sem tempo? Ferramenta de IA resume para vocêGERADO EM: 19/05/2026 - 23:01
Perda de Peso: Como Ódio e Mesquinharia Podem Ser Motivadores
O artigo explora uma abordagem inusitada para a perda de peso,baseada no "ódio" e na "mesquinharia". O autor relata como usou o desgosto pela corrida como motivação para evitar o consumo excessivo de alimentos calóricos. Posteriormente,ele adota a tática de economizar dinheiro como incentivo para não comer em excesso,colocando uma nota de cinquenta reais sobre a mesa durante as refeições. A narrativa é leve e humorística,destacando os efeitos colaterais de cultivar sentimentos negativos.O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
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Toda essa onda de ódio online que tem por aí? Fui um dos inventores. Aliás,quando cheguei ao mercado do rancor,era tudo mato. Pois fiquem sabendo os leitores: o pioneiro em usar a força do ódio para ganhos pessoais foi o titio aqui.
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Antes de mais nada,peço que os colunistas de saúde parem de ler nesta linha. O que vem por aí é pura heresia,tem tanta validade científica quanto cloroquina com detergente Ypê. Já os terapeutas e psicanalistas fiquem bem ligados,pois terão farto material para futuros encontros e congressos.
Estávamos no começo do século e eu,mais uma vez,tentava encontrar alguma atividade física que não fosse excruciante. Já tinha tentado um monte: tênis,squash,natação,remo,até aqueles aparelhos tipo roda de hamster das academias. Uma tortura. O problema era que ficar sem fazer nada exigia uma dieta rigorosa,coisa que estava além das minhas forças. Para manter o combo picanha–pizza–sorvete,explicou o médico,era preciso se mexer. Muito.
Foi aí que tive a grande ideia: usar a força do ódio a meu favor.
Escolhi a atividade física que eu mais detestava: corrida. Só de pensar em sair em disparada para,no fim,chegar aonde eu já estava,sentia crises de ansiedade. Para mim,um sofrimento só. Essa era a genialidade da minha disruptiva dieta: toda vez que eu estava numa churrascaria,em frente a uma pizza ou com uma colher de sopa dentro do pote de sorvete,pensava: para queimar estas calorias todas,vou ter que dar mais uma volta correndo na Lagoa.
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A força do ódio me fazia largar imediatamente a faca,o garfo,a colher de sopa. Qualquer sacrifício valia a pena para que eu não fosse obrigado a sair trotando por aí.
Sem saber,estava antevendo a política das próximas décadas: descobri que o que funciona melhor não é fazer o que você gosta,mas sim evitar o que você detesta.
Ainda que fosse eficiente para perder alguns quilos,o método tinha um pequeno efeito colateral,parecido com o que vemos agora na internet: cultivar o ódio deixa a pessoa meio tantã das ideias.
Pois agora descobri outro método,ainda mais eficaz. Em vez da força do ódio,a potência da mesquinharia.
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O médico avisou que preciso perder seis quilos. De imediato. E me receitou a tal canetinha. Achei moleza,até descobrir quanto custa. Para que pagar uma fortuna para perder a vontade de comer?
Eu,mais uma vez revolucionário e inovador,pensei: posso perder essa vontade de graça,só pensando no que vou economizar não comprando a canetinha. Fiz uma conta — aproximada,que sou de humanas — e cheguei a um número: cinquenta reais por dia seria o meu ganho. Adiei a compra da canetinha e fui ao banco: consegui uma nota de cinquenta reais novinha.
Pronto.
Agora faço minhas refeições com a nota na mesa. Toda vez que vou pegar uma porção a mais ou penso em abrir a geladeira atrás de um docinho,olho para os cinquenta reais e perco a vontade na hora. É a apoteose do avarento.
Em duas semanas devo ter emagrecido só um quilo,mas economizei setecentos reais. Imagino que adotar a mesquinharia como modo de vida também tenha alguns efeitos colaterais deletérios,mas isso é outro detalhe.
Meu próximo passo é juntar a dieta do ódio com o regime da mesquinharia e criar um megazord de sentimentos ruins. A minha carreira de influencer está só começando.