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Greve dos ônibus no Rio: rodoviários e empresas não entram em acordo e paralisação continua

06-30 HaiPress

Passageiros enfrentaram sufoco para se locomover pela cidade nesta segunda-feira — Foto: Marina Calderon

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GERADO EM: 29/06/2026 - 21:58

Greve de ônibus no Rio afeta transporte público e gera caos

A greve dos ônibus no Rio de Janeiro continua,sem acordo entre rodoviários e empresas. A paralisação,iniciada à meia-noite,afeta linhas municipais e o BRT,com apenas metade da frota circulando. Os trabalhadores exigem aumento salarial e melhores condições de trabalho. A prefeitura mobilizou esforços para minimizar o impacto,mas passageiros enfrentam longas esperas e ônibus lotados. Uma assembleia está prevista após audiência no TRT-1.

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Os cariocas deverão enfrentar hoje mais um dia de transtornos em seus deslocamentos pela cidade. Sem um acordo entre rodoviários e empresas de ônibus,a paralisação da categoria iniciada ontem prossegue pelo menos até o começo da tarde,já que há uma assembleia programada para logo depois da audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1),marcada para as 11h. Para minimizar os impactos com a greve,trens e metrô garantiram que vão manter operação reforçada. Ontem,com poucos ônibus nas ruas,os usuários enfrentaram dificuldades para chegar ao trabalho e voltar para casa pouco antes do jogo entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo.

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Embora o TRT-1 tenha determinado a circulação de ao menos 50% da frota de cada linha,mas dos 1,8 mil ônibus previstos,apenas 900 foram para as ruas,segundo o Rio Ônibus,o sindicato das empresas. O descumprimento pode implicar em multa diária de R$ 50 mil,aplicada tanto ao sindicato da categoria como ao patronal. Segundo o Rio Ônibus,50 veículos foram vandalizados.

A paralisação começou à meia-noite,após decisão da categoria tomada na noite de anteontem,tendo afetado linhas municipais e o sistema BRT. Os trabalhadores reivindicam piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e de R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados,além de aumento no vale-alimentação e adoção da jornada de trabalho na escala 5 por 2. Garagens de empresas como a da Redentor,em Jacarepaguá,na Zona Sudoeste,ficaram lotadas no início da manhã.

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Passageiros à espera dos ônibus no terminal Mariano Procópio,no Centro — Foto: Marina Calderon

70% do BRT

Em entrevista à TV Globo,o prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que o “time inteiro” da prefeitura estava mobilizado desde a madrugada,atuando em terminais e nas garagens da Mobi-Rio para que os impactos na cidade fossem minimizados. Segundo ele,o trabalho foi para garantir 70% da frota do BRT em operação — algo planejado para um dia de ponto facultativo. Citou também a mobilização de outros modais para absorver parte dos passageiros dos coletivos após o anúncio da greve,como o trem e o metrô.

— Infelizmente,sempre vão haver,numa situação atípica como a do dia de hoje,os casos que acabam atrapalhando a vida da população. Nosso papel está aqui,fazendo todo o esforço,mobilizando toda a equipe,garantindo que a gente minimize isso e que o mais rápido possível,uma vez resolvida a questão dos sindicatos,que a gente possa voltar à normalidade na cidade — afirmou Cavaliere,na entrevista.

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Entretanto,para os passageiros,essa normalidade não era vista nas ruas. Por causa da greve,desde as primeiras horas da manhã os pontos de ônibus ficaram lotados,com passageiros cheios de incerteza sobre como chegar ao trabalho ou voltar para casa. No Terminal Gentileza,que faz integração entre BRT,linhas convencionais e VLT,havia longas filas. Passageiros reclamavam de uma espera que passava dos 50 minutos. Os poucos ônibus que chegavam saíam lotados,com passageiros espremidos.

‘Já estou muito atrasada’

A fiscal de supermercado Telma da Costa,de 61 anos,moradora da Penha,deveria ter iniciado o expediente às 7h,mas às 7h30 ainda estava no terminal esperando pelo 606 (Gentileza—Engenho de Dentro).

—Meu patrão já deve saber que as coisas estão difíceis. Já estou muito atrasada — contou.

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Na Avenida Presidente Vargas,no Centro,o segurança Antônio Benedito,de 65 anos,era outro que aguardava havia cerca de 25 minutos pelo ônibus da linha 472 (Triagem—Leme. Depois de trabalhar das 19h às 7h em lojas do Saara,tentava voltar para casa.

— Vou ter que pegar três conduções se ele não passar — planejava,contando incluir o VLT no trajeto.

Quem também enfrentava dificuldades era o carregador da Ceasa Angelo Moreno,de 45 anos. Ele aguardava havia mais de 30 minutos pelo ônibus da linha 362 (Castelo— Honório Gurgel) e já sabia que chegaria atrasado ao trabalho.

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— Se não conseguir (ônibus),vou ter que pegar o metrô até Coelho Neto,que é mais caro. Meu chefe já está avisado — disse.

Nas redes sociais,as reclamações começaram bem mais cedo. Às 5h06,uma usuária postou que esperava pelo BRT desde às 3h50. “Era melhor a Mobi-Rio ter soltado a nota de ontem dizendo que iria aderir a greve,desde 3h50 e nada!”,publicou.

A volta para casa também foi difícil. A alternativa para chegar mais rápido era o carro por aplicativo,mas passageiros reclamaram que o valor da viagem estava muito alto. A expectativa da categoria é que a audiência de hoje coloque um ponto final na mobilização.

Por meio de nota,a Mobi-Rio informou que o sistema BRT operou nos horários de pico desta segunda-feira com 68% da frota planejada para este dia de ponto facultativo e que para esta terça-feira o planejamento operacional será de dia útil.

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