Caso Master vira arma eleitoral nos estados, e campanhas temem desgaste com novas revelações
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Ciro Nogueira,JHC,Celina Leão e Jaques Wagner: caso Master vira arma eleitoral nos estados — Foto: Reprodução
RESUMO
Sem tempo? Ferramenta de IA resume para vocêGERADO EM: 29/06/2026 - 22:40
Caso Master: Escândalo de Fraudes Financeiras Abala Eleições Estaduais
O caso Master,envolvendo fraudes financeiras e fundos de previdência estaduais e municipais,tornou-se uma arma política nos estados brasileiros,influenciando campanhas eleitorais em locais como Bahia,Piauí,Distrito Federal,Rio,Alagoas e Paraná. Investigações da Polícia Federal revelam esquemas que ligam políticos a investimentos questionáveis,gerando ataques em propagandas e discursos eleitorais. A situação preocupa campanhas,que temem novas revelações.O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
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O avanço das investigações da Polícia Federal (PF) transformou o caso Master em tema nas disputas estaduais e desperta preocupação nas campanhas,que temem o surgimento de novas revelações. Em seis estados — Bahia,Alagoas e Paraná —,pré-candidatos e aliados têm usado as apurações em discursos,propagandas,ações judiciais e ataques nas redes sociais. A estratégia busca associar adversários à fraude financeira,que possui tentáculos pelo país,e com o dono do banco,Daniel Vorcaro.
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A dimensão do caso ganhou tração nas disputas locais por ter alcançado os fundos de previdência estaduais e municipais. Dados do Ministério da Previdência mostram que 18 regimes próprios de previdência social (RPPS) aplicaram R$ 1,867 bilhão em Letras Financeiras emitidas pelo Master entre 2023 e 2024,títulos sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Entre as maiores exposições estão o Rioprevidência,com R$ 970 milhões,a Amprev,do Amapá,com R$ 400 milhões,e o instituto de previdência de Maceió,com R$ 117,9 milhões.
Em Alagoas,o caso chegou à propaganda partidária em cadeia nacional. Na última semana,o Podemos levou à TV inserções que associam o ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao governo,João Henrique Caldas (PSDB),aos investimentos feitos pelo Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) no Master durante sua gestão.
Embora os aportes tenham sido feitos quando JHC era prefeito,ele não é alvo das investigações sobre o Master.
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— Tem candidatos com embalagem bonitinha,mas que são capazes até mesmo de roubar o dinheirinho suado dos aposentados. (...) Candidato amigo de banqueiro corrupto é inimigo do povo — afirma a propaganda,veiculada na semana passada.

Ecos da crise do Master — Foto: Arte O Globo
A disputa também chegou à Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinou a retirada de um vídeo publicado pelo deputado estadual Cabo Bebeto (PL),que relacionava JHC ao caso Master.
JHC evita comentar o caso e tem recorrido à Justiça contra publicações que associam seu nome aos investimentos do Iprev Maceió no Master.
‘Amigo de vida’
No Piauí,o principal atingido pelas investigações é o senador Ciro Nogueira (PP),que se tornou alvo de petistas. Segundo a PF,ele atuou em favor dos negócios de Vorcaro no Congresso em troca de vantagens indevidas,incluindo pagamentos mensais de R$ 300 mil,uso de imóvel,além do custeio de viagens internacionais,hospedagens,restaurantes e voos privados. Em uma troca de mensagens,o senador chama o banqueiro de “amigo de vida”.
Adversários passaram a incorporar o caso ao discurso eleitoral. Em entrevista ao Jornal do Piauí,em maio,o presidente estadual do PT,deputado Fábio Novo,afirmou que o mandato de Ciro foi “alugado para interesses de um banco privado”. A PF afirma que uma emenda apresentada por Ciro para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos teria sido redigida dentro do Master e entregue ao senador.
— Se tivesse passado a emenda que o Ciro topou,nós teríamos dado um rombo no sistema financeiro do Brasil de cerca de R$ 150 bilhões. O prejuízo do Master é de R$ 40 bilhões. Quem iria pagar essa conta? Seriam o Banco do Brasil,a Caixa Econômica e as pessoas que têm dinheiro depositado lá,porque é o Fundo Garantidor que cobre isso. É um mandato do povo do Piauí emprestado para interesses de um banco privado.
Ele nega as acusações,classifica a investigação como um “roteiro absurdo de ficção” e afirma que a proposta não tinha o objetivo de beneficiar a instituição financeira.
No Rio,o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD),pré-candidato ao governo estadual,passou a usar a operação da PF contra o ex-governador Cláudio Castro (PL) para atingir o grupo político adversário. A investigação mira suspeitas de irregularidades em investimentos de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Master,dos quais mais de R$ 1 bilhão foi aplicado após um alerta do Tribunal de Contas do Estado sobre possíveis irregularidades.
— O nível de vagabundagem dessa máfia é sem limites. (...) Querem lançar um pupilo de Castro governador.
A referência de Paes era ao presidente da Assembleia Legislativa,Douglas Ruas (PL),seu principal adversário em outubro. Embora Ruas não seja alvo da investigação,Paes tenta associá-lo politicamente ao grupo de Castro. Já o presidente da Alerj afirma que encontrou pedidos de CPI sobre o Master parados na Assembleia e acusa o grupo político de Paes de tentar barrar a investigação.
‘Pacto de não agressão’
Na Bahia,os desdobramentos já respingaram nas principais correntes,mas um “pacto de não agressão” entre os grupos do senador Jaques Wagner (PT) e do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) tem feito com que os principais nomes evitem se atacar. Wagner é pré-candidato à reeleição na chapa do governador Jerônimo Rodrigues,que vai enfrentar Neto ao tentar novo mandato.
Os ataques ao petista tem partido do pré-candidato ao Senado João Roma (PL),que classificou como “muito graves” as revelações sobre a relação de Wagner com o empresário Augusto Lima,ex-sócio de Vorcaro no Master. Na sexta-feira,subiu o tom:
— Wagner fez um discurso defendendo os pobres,mas está sendo investigado pela Polícia Federal justamente por utilizar o seu mandato para servir os ricos e para ser rico.
A resposta veio em seguida. Mas redes sociais,o ex-deputado estadual Marcelino Galo (PT) cobrou explicações de ACM Neto pelos contratos de consultoria com o Master,revelados pelo GLOBO.
A PF apura se Wagner recebeu “vantagens indevidas” em troca de atuação em favor dos interesses de Vorcaro. Entre os elementos estão um apartamento de R$ 2,45 milhões e repasses a uma empresa da nora de Wagner,que nega favorecimento ilícito. ACM Neto,por sua vez,não foi alvo de operação. Documentos da Receita mostram pagamento de R$ 5,4 milhões ao ex-prefeito por meio de sua empresa de consultoria entre 2023 e 2025. A empresa nega irregularidade e se colocou à disposição para esclarecimentos.
Amanhã,o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) irá a evento na Bahia e deve dividir palanque com aliado.
No Distrito Federal,a oposição passou a mirar a governadora Celina Leão (PP),pré-candidata à sucessão de Ibaneis Rocha (MDB),por causa da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) foi um dos primeiros a levar o escândalo para o centro da disputa eleitoral.
— O governo Ibaneis e Celina não só enfiou o BRB num grande esquema de corrupção,como não está fazendo nada para salvar nosso banco.
Embora a investigação não tenha Celina como alvo,a pré-candidata tenta se desvincular da operação envolvendo o BRB. Em suas propagandas eleitorais,passou a defender a ideia de um “novo GDF (governo do Distrito Federal)”,buscando marcar distância de Ibaneis.
No Paraná,a estratégia da oposição foi recorrer aos órgãos de investigação. O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) encaminhou representação à PF e à Procuradoria-Geral da República para investigar a atuação do deputado federal Filipe Barros (PL),alegando que ele atuou em favor de interesses do Master ao apresentar projeto que amplia o limite de cobertura do FGC. Barros nega relação com Vorcaro e argumenta que apresentou a medida antes de o caso vir à tona,com o objetivo de ampliar a proteção aos investidores.